Split payment

Split payment: como funciona e quanto vai ficar retido no seu caixa

Caixa registradora antiga com o título O imposto sai na hora, sobre o split payment
Resposta rápida

No split payment, a instituição que processa o pagamento (Pix, cartão ou boleto) separa a CBS e o IBS no momento da liquidação e manda direto para a Receita e para o Comitê Gestor. A empresa recebe só o valor líquido. O imposto deixa de passar pelo caixa até o vencimento, e isso exige mais capital de giro.

Em resumo

  • Criado pelo art. 31 da LC 214/2025: o imposto é separado na liquidação financeira da venda.
  • Vale para os principais meios eletrônicos: Pix, cartão, boleto. Em venda parcelada, a separação acontece em cada parcela.
  • Os testes com as instituições de pagamento começaram em 15/10/2026; a implantação será gradual, por ato da Receita e do Comitê Gestor.
  • O efeito principal é no caixa: o dinheiro do imposto, que hoje fica semanas com a empresa, sai na hora.
  • O split também garante o seu crédito: o crédito de CBS e IBS depende do imposto da compra ter sido pago.
Neste artigo
  1. O que é o split payment
  2. Por que o governo criou o split payment
  3. Quando o split payment começa
  4. Quanto o split payment segura do seu caixa
  5. Simule o seu caso
  6. Como se preparar para o split payment
  7. Split payment e nota fiscal: como o sistema casa as coisas

De todas as mudanças da reforma tributária, o split payment é a que menos aparece nas manchetes e a que mais pode apertar o caixa. Ele não muda quanto você paga de imposto. Ele muda quando o dinheiro sai: na hora em que o cliente paga, e não semanas depois.

O que é o split payment

Split payment quer dizer “pagamento dividido”. Pelo art. 31 da LC 214/2025, as instituições que processam pagamentos eletrônicos devem separar a CBS e o IBS de cada transação e recolher o valor direto à Receita Federal e ao Comitê Gestor do IBS, no momento da liquidação financeira.

Hoje funciona assim: o cliente paga R$ 1.000, o dinheiro inteiro cai na sua conta e você paga os tributos no vencimento, semanas depois. Com o split:

  1. O cliente paga R$ 1.000 por Pix, cartão ou boleto.
  2. A instituição de pagamento consulta o imposto destacado na nota daquela venda.
  3. Na liquidação, ela manda a parte do imposto para o governo.
  4. Você recebe só o líquido.

Em venda parcelada, a separação acontece proporcionalmente em cada parcela (art. 34). E a maquininha, o banco ou a instituição de pagamento não viram responsáveis pelo seu imposto: eles só separam e repassam.

Por que o governo criou o split payment

Dois motivos. O primeiro é a sonegação: com o imposto separado na fonte, fica muito mais difícil vender, receber e não recolher.

O segundo interessa diretamente a você: o crédito. No sistema novo, o crédito de CBS e IBS das suas compras depende de o imposto do fornecedor ter sido efetivamente pago (art. 47). O split payment é o que garante esse pagamento automaticamente. Enquanto ele não estiver funcionando, a lei aceita só o destaque correto na nota para liberar o crédito (art. 48).

Quando o split payment começa

Aqui é preciso cuidado, porque circula muita data errada:

  • A lei manda que o split funcione ao mesmo tempo nos principais instrumentos de pagamento eletrônico, começando pelas vendas para quem não é contribuinte do regime regular, como o consumidor final (art. 35).
  • A implantação será gradual, com fases e hipóteses facultativas definidas em ato conjunto da Receita e do Comitê Gestor.
  • Em 15/10/2026 começaram os testes de integração entre as instituições de pagamento e a Plataforma Pública do Split Payment, em ambiente controlado, sem efeito em operações reais.
  • As demais instituições de pagamento podem se inscrever nos testes a partir de 16/11/2026.

Ou seja: o mecanismo está sendo construído agora. Não há data oficial para o split obrigatório em todas as vendas, mas a direção é clara e a lei já está valendo. Quem planejar o caixa de 2027 sem considerar o split pode ser pego no meio do ano.

Quanto o split payment segura do seu caixa

Hoje, entre receber do cliente e pagar o tributo, o dinheiro fica com a empresa por algumas semanas. PIS e Cofins, por exemplo, vencem no mês seguinte ao da venda. Esse dinheiro, na prática, vira capital de giro gratuito.

Com o split, esse giro desaparece. Veja uma loja que recebe R$ 200 mil por mês em Pix e cartão, sem os novos tributos:

2027 (CBS ≈ 9,21%)2033 (CBS + IBS ≈ 27,91%)
Imposto separado na hora, por mêsR$ 18.420R$ 55.820
Giro perdido (imposto ficava 40 dias no caixa)R$ 24.560R$ 74.427
Custo para repor esse giro a 2,5% ao mês, por anoR$ 7.368R$ 22.328

E tem um segundo efeito: os créditos das suas compras são acertados na apuração, depois. Então o imposto da venda sai na hora, e o crédito volta mais tarde. Para empresas com margem apertada e muito cartão parcelado, essa diferença de tempo pesa.

Simule o seu caso

Calculadora

Quanto o split payment segura do seu caixa

Imposto separado na hora, por mês—
Capital de giro que deixa de existir—
Custo financeiro por ano para repor esse giro—

Estimativa simplificada. Considera que o imposto da venda é separado inteiro no pagamento e que os créditos das suas compras são acertados depois. As alíquotas são estimativas de 2026, ainda não definitivas, e o cronograma do split payment depende de ato da Receita e do Comitê Gestor.

Como se preparar para o split payment

  • Separe as vendas por meio de pagamento. Saiba quanto entra por Pix, cartão, boleto e dinheiro. É sobre os eletrônicos que o split vai incidir.
  • Calcule o giro que vai sumir. Use a calculadora acima e leve o número para o planejamento de 2027.
  • Revise prazos com clientes e fornecedores. Se o imposto sai na hora, vale renegociar prazos de pagamento a fornecedores ou antecipar recebíveis com mais cuidado.
  • Acerte a nota fiscal. O split depende do imposto destacado na nota. Nota errada significa valor errado separado e crédito em risco para o cliente.
  • Converse com o banco e a credenciadora. Pergunte como eles estão participando dos testes e quando o split vai aparecer no seu extrato.
  • Reveja o preço. O custo do giro perdido é custo de verdade e precisa entrar no preço. Veja Como precificar com a reforma tributária.

Split payment e nota fiscal: como o sistema casa as coisas

Para separar o imposto certo, o sistema precisa ligar cada pagamento à nota da venda. A Nota Técnica 009 da NFS-e, publicada em junho de 2026, criou um grupo de campos que vincula até 99 transações de pagamento à mesma nota, seja Pix, boleto, TED ou transferência. Na NF-e, a lógica é a mesma.

Na prática, isso significa que o seu sistema de vendas, o emissor de notas e o meio de pagamento vão precisar conversar. Vale perguntar ao fornecedor do seu sistema de gestão como ele está se preparando.

Quer entender o resto do que muda em janeiro? Veja O que muda em 2027 com a reforma tributária.

Perguntas frequentes

O split payment começa em 2027?

Não há data única. A LC 214/2025 criou o mecanismo e manda que ele funcione nos principais meios de pagamento eletrônico, mas a implantação será gradual e definida em ato conjunto da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS. Os testes com as instituições de pagamento começaram em 15/10/2026, em ambiente controlado e sem efeito em operações reais.

O split payment vale para dinheiro em espécie?

Não. O mecanismo funciona nos pagamentos eletrônicos processados por instituições de pagamento, como Pix, cartão e boleto. Em pagamentos fora desse circuito, o imposto continua sendo pago pela empresa na apuração.

A maquininha ou o banco passam a ser responsáveis pelo imposto?

Não. As instituições de pagamento são responsáveis por separar e repassar o valor, mas a lei diz expressamente que elas não se tornam responsáveis tributárias pela CBS e pelo IBS das operações que liquidam (art. 34 da LC 214/2025).

E se o cliente devolver a mercadoria?

Se a operação for cancelada ou devolvida e o imposto já tiver sido separado no split, o regulamento pode prever a transferência do valor recolhido de volta para o fornecedor em até 3 dias úteis (art. 47, §13). Esse valor devolvido não vira crédito do fornecedor.

Como a nota fiscal sabe qual pagamento é de qual venda?

A Nota Técnica 009 da NFS-e, de junho de 2026, criou um grupo de campos que vincula até 99 transações de pagamento (Pix, boleto, TED, transferência) à mesma nota. É assim que o sistema casa o pagamento com o imposto destacado.

Fontes

  1. Lei Complementar nº 214/2025, arts. 31 a 35 e 47 (texto atualizado) · Câmara dos Deputados
  2. Comunicado sobre os testes da Plataforma Pública do Split Payment · Receita Federal, 30/09/2026
  3. Atos Técnicos Conjuntos RFB/CGIBS · Receita Federal
  4. Publicada a Nota Técnica 009 da NFS-e · Portal da NFS-e, 04/06/2026
  5. Comitê estima alíquota de IBS e CBS em 28%, acima do teto previsto na reforma · Folha de S.Paulo, 05/08/2026

Conteúdo educativo, baseado na LC 214/2025, nos regulamentos e em comunicados oficiais até a data de atualização. Não substitui a orientação do seu contador. Achou um erro? Veja a nossa política de correções.

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